Tróia & Costa Vicentina

Tróia…

…Ao evocar este mítico nome somos transportados de imediato para a cidade-Estado, referida na Ilíada por Homero, que se presume ser um sítio arqueológico em Hisarlik, na Anatólia.

Neste caso refiro-me à Tróia portuguesa, localizada na península de Setúbal,  conhecida pelos seus tanques de salga romanos -as cetárias- tendo  a norte o Parque Natural da Serra da Arrábida- exlibris   da região- e no lado interior virado a Este o Estuário do rio Sado: com uma população estável de  Roazes-corvineiros, Tursiops truncatus, e habitat de inúmeras espécies de aves, pois existem óptimas condições para a sua presença nos vastos arrozais e nas lagoas de Melides e de Santo André . Para sul estende-se o maior areal da Europa e o terceiro  mais extenso do mundo com  73 km de areia que vão desde Tróia  a Sines.

Este foi sem dúvida alguma um dos trajectos mais interessantes que fiz a pé: pela variedade de aspectos que a paisagem oferece, pelas pequenas vilas piscatórias que se atravessam como Porto-Covo e a famosa ilha do Pessegueiro (referida na canção do Rui Veloso)   a Vila Nova de Milfontes, pelas pequenas enseadas como a Lapas-de-pomba em Almograve e o Cabo-Sardão, onde se pode observar de perto as cegonhas-brancas no único local conhecido onde estas nidificam em falésias sobre o mar.

É portanto uma viagem muito interessante que demora uns bons 5 a 6 dias a um ritmo moderado, com ligeiras paragens para degustação de boa comida acompanhada com surpreendentes vinhos da região. Uma referência especial para a excelente qualidade dos vinhos produzidos em solos arenosos e para alguns dos pratos típicos dos quais o mais conhecido é o choco frito.

Devo referir que algumas infestações de plantas invasoras assumem já proporções elevadas junto à costa como é o caso das Acácias e dos Chorões, em particular as primeiras que formam autênticas florestas juntos às arribas e que nos dificultam a passagem.

É Importante  fazer este percurso munido de binóculos pois não faltarão oportunidades para observar aves, quer nas lagoas quer ao longo da costa.Podem ser observadas, entre outras, a Torda-mergulheira, Alca torda, o Falcão-peregrino, Falco peregrinus, o Airo, Uria aalge, a Garça-vermelha, Ardea purpurea, ou o Pato-de-bico-vermelho, Netta rufina, dependendo da zona e época do ano em que nos encontremos.

Deixo aqui algumas fotos que testemunham a beleza deste trajecto…que voltarei sem dúvida a realizar.

Wild South  

Where time goes at  it´s own pace

 Tróia and Vincentine Coast

Tróia…Troy

By evoking this mythical name we are immediately transported to the city referred to in Homer´s Iliad, now an archeological site in Hisarlik, Anatólia.

In this case, I refer  to the Portuguese  Tróia, situated in the Setúbal Península, known for their Roman Cetarias –  salting tanks. Towards the North, the exlibris of the region, the Arrábida Hills, towards the East inland the Sado river estuary, which has a steady population of bottle-nose dolphins (Tursiops truncatus) and is the habitat to many bird species in the excellent conditions provided by the paddies and the Melides and Sto André lakes. Towards the south, is Europe´s biggest beach, the world´s 3rd largest, having a remarkable 73km stretch of sand, from Tróia to Sines.

Without a doubt, this was one of the most interesting routes I did on foot due to the little fishing villages like Porto Covo and the Pessegueiro Island ( mentioned in Rui Veloso´s song), and Vila Nova de Milfontes, the tiny bay´s such as Lapas de Pomba in Almograve, and the Sardão Cape, the only known place where you can closely observe the White Stork nidifying in the sea cliffs.

An interesting 5-6 day journey at a moderate pace with short rests to taste good local food and wine. A particular reference to exceptional wine produced from this sandy ground and tipical dishes like fried cuttle fish.

I must mention some large proportions of Acacia and ice-plant infestations on the coastline, which makes passage difficult.

This route is great to do armed with binocules as you will have so many opportunities to do bird watching all along the coast and in the lakes, among some are the razorbill (Alca torda), penegrine falcon (Falco peregrinus), common guillemot (Uria aalge), purple heron (Ardea purpurea), red-crested pochard (Netta rufina) depending on the season..

Below are some fotos which testify the beauty of this course, which I will definitely repeat!

2 thoughts on “Tróia & Costa Vicentina

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