Bijagós, um mundo à parte.

Em toda a costa ocidental de África não existe nada parecido.

Do delta do rio Geba e Corubal, outrora em seco e depois de um período de desglaciação, a subida das àguas do Atlântico invadiu os vales por onde corriam estes dois rios tornando os seus pontos mais altos em ilhas imersas imediatamente em frente ao que é hoje o território Guineense. Assim nasceu o arquipélago dos Bijagós.

As águas destes rios continuam a fornecer nutrientes ao que é um dos habitats mais ricos e variados de África, proporcionando assim alimento a peixes, mamíferos e aves dispersos por 88 ilhas que englobam os mais variados tipos de paisagem: desde savanas, selvas, pântanos e mangais passando por praias magníficas de areia branca e palmares.

Refúgio de nidificação e área de  alimentação  para limícolas como seixoeiras, garajaus, pilritos, flamingos, colhereiros, garças, maçaricos e muitos outras espécies como a águia-pesqueira-africana, abutre-das-palmeiras ou espécies de papagaios já desaparecidas no continente, esta abundância não fica por aqui, pois no mar por entre as ilhas vagueiam espécies raras como golfinhos-corcundas-do-Atlântico, dogongos, crocodilos de água doce e salgada, ruazes-corvineiros, peixes-serra, peixes-voador, tubarões, 5 espécies de tartaruga entre as quais se destaca a tartaruga-verde sendo esta área do globo uma das principais para a sua postura anual, e os raros hipopótamos que passam a maior parte do tempo no mar.

A religião animista do povo Bijagó estará na origem da preservação da biodiversidade destas ilhas,  pois graças a eles e as suas crenças intimamente ligadas à natureza  foi possível chegar até aos nossos dias este legado, actualmente considerado reserva mundial para a bioesfera.

A pesca e recolecção é feita à medida das necessidades alimentares de cada dia dando assim oportunidade aos efectivos para se reproduzirem de modo natural e sustentado.

Apesar disso, a pressão demográfica e o rápido esgotamento dos recursos em todo o mundo tem atraído para a região pescadores do Senegal e de Konacri bem como embarcações europeias que cobiçam as riquezas das águas bijagós.

O seu modo de vida ancestral preserva rituais, festividades e celebrações de carácter religioso em 120 dias do anos.

Deste povo atlético, cordial e leal pouco se sabe sobre a sua origem embora haja correntes de opinião que os ligam aos Felupes, pois tem com estes uma espécie de compromisso religioso e partilha de locais de culto.

Espero que a Guiné, os seus governantes e todos nós consigamos valorizar e ajudar a preservar este verdadeiro hotspot de biodiversidade e cultura pois no mundo de hoje todo o cuidado é pouco,…atrás de cada porta  em cada gabinete os petrodólares acenam aos responsáveis que muitas vezes, lá tal como cá só pensam em aumentar as contas bancárias a todo o custo extinguindo povos culturas e natureza…

Vida longa e prospera para os Bijagós e o seu povo.

Wild South

Where time goes at it’s own pace

Bijagos, A diferent world

There is nothing that matches this archipelago throughout the west coast of Africa.

After the period of melting glaciers the previously dry delta of rivers Geba and Corubal and its valleys were invaded by the rising waters of the Atlantic turning their highest points into islands right infront of what is now Guinean territory, and so the Bijagos Archipelago was born…

These river waters still provide nutrients to one of the richest and most diverse habitats feeding fish, mammals and birds scatterd in 88 islands composed of varied landscapes: from savannas, jungles, swamps, mangroves, to magnificent white sand beaches laced with palm trees.

Refuge for nesting and feeding zone for waders, terns, sanderlings, crested terns, curlews, ospreys, angolan-palm-nut-vulture and parrot species which have dissapeared on the continent. The abundance does not end here though…as in the sea between the islands rare species glide such as the atlantic-humpbacked dolphin, dugongs, both fresh and saltwater crocodiles, smalltooth-saw fish, two-winged flying fish, 5 turtle species of which the green turtle stands out being this the area they take to for their annual posture and the rare hippos who spend most of their time in the sea.

The preservation of the biodiversity of these islands is due to the animistic religion of the Bijago people which is closely linked to nature, and thanks to them this legacy lives today and the islands are considered a World Biosphere reserve.

Only daily needs are gathered and fished, so allowing nature to restore itself.

Unfortunately, demoghaphic pressure and diminishing worldly resources has attracted fishermen from Senegal and Konacri also European vessels who envy the rich Bigajo waters.

Their ancestral way of life preserve rituals, festivities and religious celebrations for 120 days each year.

Very little is known of the origins of this athletic, aimiable, loyal nation. Some opinions bind them to the Jola-Felupe, as they have a religious commitment and share places of worship.

I truely hope that Guinea, its rulers and all of us help to preserve this hotspot to biodiversity and culture as in todays day and age one can never be too careful…behind each petroldollar office door only a desire to raise bank accounts prevail at the cost of extinting nations, culture and nature…

Longlivety and prosperity for the Bijagos people…

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2 thoughts on “Bijagós, um mundo à parte.

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