Into the Wild

Existe algo  único no Algarve  cujo surpreendente relato provêm de marinheiros que, ao se acercarem da costa portuguesa vindos do Sul, nos seus veleiros dizem  sentir  o aroma inconfundível das estevas transportado pelo vento de Noroeste até bem longe sobre o mar.

É um cheiro inconfundível e muito agradável do qual tiramos partido de vários modos na nossa culinária e no fabrico do pão de grande qualidade que consumimos.

Quase sempre carrego comigo pequenos molhos desta e de outras plantas aromáticas que perfumam as várias divisões da minha casa e que, como se de uma janela se tratasse, me fazem “viajar” de volta ao campo e às memórias das minhas aventuras em lugares por onde muito pouca gente terá passado nos últimos 50 anos.

Talvez  caçadores, pastores e  alguns muito poucos – curiosos como eu – ainda o façam, mas nunca me cruzei com outras pessoas que não um velho pastor com quem troco algumas palavras e de quem tento saber mais sobre aqueles lugares.

Procuro saber histórias sobre moinhos de água, sobre os hábitos dos animais, tento confirmar a existência de algumas espécies mais emblemáticas de aves, mamíferos, plantas  e procuro documentar fotograficamente tudo isto porque para além do mais quero levar tudo aquilo comigo quando regressar a casa.

A migração dos barbos em Abril rio acima para a postura anual, a chegada dos abelharucos ,dos papa-figos ou dos noitibós que me fazem recordar África, a visão surpreendente de um Bufo-real que estava imperceptivelmente  pousado numa escarpa, um veado que salta de repente à minha frente…

As noites estreladas e mornas do Sul onde os sons nocturnos se impõem misturados com o crepitar da fogueira.

É com enorme prazer e orgulho que mostro a minha terra.

Falo das memórias  do meu povo, dos seus hábitos e costumes, da sua incrível história que transcende em muito os 900 anos das nossas fronteiras, das nossas peculiaridades, da nossa fauna e flora, e escuto os ensinamentos dos que me acompanham em conversas que vão muitas vezes pela noite dentro até que o fogo se extinga e apenas a luz das estrelas ou da lua nos ilumine.

Há tanto para aprender, para dizer sobre esta região…afinal de contas das 6000 espécies de plantas que se observam no Algarve 3000 são raras, somos um hotspot para observação de répteis e anfíbios europeus, somos o local do planeta com mais espécies de aranhas e podem-se observar mais de 426 espécies de aves em Portugal! Quem diria?!

São memórias e sítios que colecciono e dou a conhecer àqueles que me acompanham a estes locais onde ainda há vida selvagem para contemplar. No final tenho sempre gente que quer voltar e conhecer mais um pouco do Algarve Selvagem!

 

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